A história e os bastidores de ‘Dois’, o álbum que consolidou a Legião Urbana
Em 1986, o rock brasileiro vivia um dos seus momentos mais efervescentes. Após a repercussão do disco de estreia de 1985, a Legião Urbana voltou ao estúdio para registrar o seu segundo trabalho, intitulado ‘Dois’. O álbum não apenas consagrou a banda formada por Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Renato Rocha e Marcelo Bonfá, como se tornou um dos marcos mais influentes da música nacional.
Originalmente, o projeto idealizado por Renato Russo era lançar um álbum duplo chamado ‘Mitologia Redentora’, que reuniria composições antigas da época do Aborto Elétrico e novas canções. Contudo, a gravadora EMI negou a proposta por razões comerciais e custos de produção. Essa recusa forçou o grupo a fazer uma seleção rigorosa do material, concentrando o repertório no que viria a ser uma sequência exemplar de faixas.
Foi nesse disco que nasceram clássicos imortais como ‘Tempo Perdido’, ‘Eduardo e Mônica’, ‘Quase Sem Querer’ e ‘Índios’. A introdução marcante de ‘Tempo Perdido’, construída pelas guitarras e violões de Dado Villa-Lobos, transformou a canção em um verdadeiro hino sobre a juventude, a passagem do tempo e as angústias de uma geração.
Com uma sonoridade que equilibrava referências do pós-punk britânico com o lirismo visceral brasileiro, ‘Dois’ ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias vendidas na época. O trabalho provou que o rock feito em Brasília podia ser profundamente poético, maduro e comercialmente avassalador sem abrir mão de sua densidade crítica.
